Artigo: Serão as empresas de serviços as próximas IOCs?

Em tempos de crise, prestadores de serviço enxergam a possibilidade de fazer o que seus clientes (as petroleiras) fazem

[11.09.2017] 16h03m / Por Por Armando Cavanha*

HOUSTON (Reuters) - The world’s largest oilfield services company, Schlumberger NV (SLB.N), is spending billions of dollars buying stakes in its customers’ oil and gas projects - investing in the same ventures it supplies with equipment and expertise.

http://ca.reuters.com/article/businessNews/idCAKCN1BJ0EI-OCABS

Com a redução significativa da atividade de óleo e gás pelo mundo nos últimos anos, tendo como fatores principais os preços do barril abaixo de US$ 50 e a produção total suficiente para o consumo na casa dos 100 milhões de barris diários, houve pressão por mudanças de todos os tipos nos negócios de operadores, investidores e prestadores de serviços.

Fusões, aquisições, falências, dívidas e demissões são temas imprevisíveis de um período de dificuldades no setor energético, mais especificamente em petróleo. A chegada de novas fontes de energia, as questões de clima e meio ambiente aceleraram esse cenário.

Dentre os movimentos empresariais recentes está o anúncio de um grande prestador de serviços especializados, adicionando a Exploração e Produção aos seus negócios, até então assunto exclusivo dos seus próprios clientes.

Qual o significado disso?

Com a perda de negócios no ramo de petróleo, empresas de alta tecnologia enxergam a possibilidade de fazer o que os seus clientes fazem, com algumas vantagens naturais. São essas empresas que executam os serviços para muitos clientes, atividades de poços, reservatórios e detém as tecnologias da atividade de E&P. Os clientes sabem especificar e contratar, mas não sabem produzir os equipamentos, prestar os serviços. Por exemplo, em um “gamma ray oil well logging” de um cliente, a fabricação dos equipamentos e materiais e a aplicação em campo não são executados por petroleiras, mas por empresas como Schlumberger, Halliburton, Baker, dentre outras. Fabricantes e prestadores de serviços, com alta tecnologia e logística.

Assim, passam a ser colaboradoras e também competidoras com as empresas de óleo e gás, em muitos casos, o que se torna uma tarefa desafiadora.

É certo que há um belo espaço para essa atividade nos casos de, por exemplo, campos maduros, que requerem investimento e tecnologia para retirar a enorme quantidade de hidrocarbonetos ainda remanescente nos reservatórios, que não surgem de maneira tão simples, necessitando de técnicas especiais. Nesse tema, a inserção de prestadores de serviços tecnológicos é altamente interessante, deixam de apenas prestar serviços, mas atuam de forma a serem parte do lucro, podendo ser uma alavanca importante em tempos de crise nos serviços típicos. E muitas empresas de óleo e gás não têm recursos ou tempo ou foco para este segmento.

Sem dúvida há riscos, nem todos os clientes se sentirão à vontade com prestadores de serviços que possuem interesses semelhantes a eles, ou que informações importantes de campos, reservatórios ou produção podem ser elementos de competição futura.

Também, o foco da empresa de tecnologia, agora petroleira, muda. Seus naturais interesses sobre lucros e oportunidades podem fazer a organização interna antes padronizada vir a sofrer embates internos, mudanças de prioridades, visão de desenvolvimento tecnológico limitado e direcionado aos seus próprios lucros no lugar de serem voltados à percepção dos clientes de valor agregado em suas atividades originais.

Há um desafio, um novo modelo, uma nova relação com clientes, um mundo de óleo e gás diferente em curso, com todas as variáveis do tema energia tomando força em tempos de difícil administração.

Armando Cavanha é professor convidado na FGV/MBA