Graça Foster e Guido Mantega denunciados pelo MPF

Ex-presidente da Petrobras e ex-ministro da Fazenda vão responder por improbidade administrativa

[06.12.2017] 20h13m / Por Ana Luisa Egues, com informações da Agência Brasil

A ex-presidente da Petrobras Graça Foster e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foram denunciados nesta quarta-feira (6/12) por improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro, por manipulação de preços de combustíveis e consequente prejuízo bilionário à estatal. O ex-secretário-executivo do MME, Marcio Zimmermann, também foi denunciado, por fazer parte do conselho da estatal.

Em 2015, Graça Foster prestou depoimentos pela CPI da Petrobras por causa dos escândalos de corrupção da estatal. Em 2016, Guido Mantega havia sido preso temporariamente na 34ª fase da Lava Jato, na Operação Arquivo X da Polícia Federal. 

Outros cinco ex-integrantes do conselho de administração foram denunciados por condução indevida de preços da gasolina e do diesel: Miriam Belchior, Francisco Roberto de Albuquerque, Luciano Coutinho, e José Maria Ferreira Rangel, além do próprio Zimmermann.

O MPF alega que, parte dos membros do conselho de administração à época, principalmente os indicados pelo governo, mantiveram uma política de retenção de preços dos combustíveis e a defasagem em relação ao mercado internacional entre o final de 2013 e outubro de 2014, contrários aos interesses da Petrobras.

Os procuradores da República Claudio Gheventer, Gino Augusto de Oliveira Liccione, André Bueno da Silveira e Bruno José Silva Nunes, autores da ação, relataram que “eles atuavam segundo orientação do governo federal, que tinha como objetivo segurar a inflação, tendo em vista as eleições presidenciais de 2014”.

O MPF quer ainda que a União, acionista controladora da Petrobras, seja condenada a ressarcir a estatal por usá-la indevidamente para combater a inflação.

“Estima-se que essa política de retenção de preços, que provocou grande defasagem entre o preço de importação da gasolina e do diesel e o preço de venda desses produtos no mercado interno, causou um prejuízo de dezenas de bilhões de reais, sendo, junto com as perdas sofridas em razão da corrupção que assolou a companhia, desvendada pela Operação Lava Jato, uma das causas da grave crise financeira enfrentada pela Petrobras nos dias atuais”, concluíram os procuradores.